Plano de Carreira na Dança

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Muitos entram na dança por questões de saúde, na busca por uma atividade física satisfatória ou procurando autoconhecimento, e muitos a mantém como uma atividade paralela, seja qual for o motivo. São poucos os que enxergam na dança uma oportunidade de trabalho e carreira, até porque é muito difícil viver do que se gosta quando o assunto é arte e cultura, não é mesmo? Todavia, não impossível. O que precisamos é ter clareza quanto às nossas metas e objetivos, e traçar um planejamento a curto, médio e longo prazo. O que te motiva/motivou a querer ser dançarinx, professorx, coreógrafx, pesquisadorx, produtorx, proprietárix de escola de dança, ou tudo isso?

Vou contar um pouquinho da minha experiência. Danço desde criança, mas minha paixão pela arte surgiu com a Dança do Ventre, na qual iniciei em 2009 e logo de cara me identifiquei. Além das aulas regulares semanais, ouvia músicas orientais diariamente, lia sobre dança, assistia vídeos e DVD’s, realizava ensaios extras na minha casa com meu grupo, treinava improviso e tudo mais. Mas somente 5 anos mais tarde considerei trabalhar com dança, então busquei um curso de formação para aprimoramento técnico e comecei a dar aulas. Foi neste período que dei início a um longo processo de pesquisa que até então não cessou – e pretendo não parar de estudar.

Em 2015, realizei minhas primeiras produções com o objetivo de conciliar minha formação acadêmica em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo com a Dança Tribal: e assim surgia iniciativas como os haflas em pubs e espaços alternativos, encontros no parque com ensaio aberto e projetos de vídeo, bem como a vontade de escrever sobre dança. Comecei com artigos para a Central Dança do Ventre e para a Aerith Tribal Fusion, e posteriormente criei o blog Tribal Archive, agregando também minha experiência em mídias digitais. Hoje meu enfoque está no projeto Mulheres que Dançam de reportagem especializada em dança, resultado do meu trabalho de conclusão de curso iniciado em 2016.

Eu adoro o processo de pesquisa e investigação artística, então dar aulas e coreografar em grupo é um trabalho que me cativa, mas meu foco mesmo é atuar como produtora, assessora e consultora em comunicação no desenvolvimento de projetos integrativos. É natural que, ao entrarmos para o mercado de trabalho em dança nos deparamos com opiniões diferentes – já me questionaram porque eu não estudava Educação Física, portava um DRT, apresentava-me mais vezes… agora você sabe. Da mesma forma, minha mestra em Dança do Ventre, Sol Gadaq, adora coreografar, mas raramente se apresenta como dançarina. Também conheço pessoas que adoram dançar e estão cansadas de dar aulas. Uma coisa não precisa necessariamente estar ligada à outra.

Na sala de aula, sempre temos aquele aluno que não vê a hora de se apresentar, o que só vê a dança como uma atividade física, dentre outros. Esses já são pequenos indícios dos caminhos que cada aluno escolherá seguir como profissional da dança, caso venha a se especializar. Em fevereiro, a tribaldancer Kelly Orianah publicou uma pesquisa privada em seu perfil do Facebook sobre o que nos leva a querer dançar em um evento. As respostas variaram muito, certamente devido à relação que cada um tem com a dança, mas os critérios mais citados foram: (auto) avaliação, presença/divulgação, prazer, dinheiro, experiência. Algumas apontaram como apresentar-se traz mais credibilidade e visibilidade para professoras de dança, por exemplo. Não existe certo e errado: há diferentes formas de pensar a dança e cabe a nós escolhermos de que maneira queremos trabalhar com essa área de conhecimento – através do estudo e pesquisa da educação do movimento e processos coreográficos? Pelos aspectos fisiológicos, biológicos e cinesiológicos do movimento? No contexto antropológico e sociocultural? Dança-arte, dança-educação, dança-esporte, dança-terapia?

Há algum tempo, publiquei algumas considerações sobre ensino-aprendizagem na dança: qual a importância da formação acadêmica para um profissional da dança? Em resumo, atualmente, um professor de dança com nível superior tem a oportunidade de ministrar aulas de Educação Artística no ensino fundamental e médio da educação básica, além de atuar como instrutor em cursos livres e academias da rede pública ou privada. Como bailarino ou dançarino popular, o mercado de trabalho é um pouco mais restrito, tendo como um dos requisitos o registro profissional – DRT. Como gestor, é preciso noções de administração, contabilidade e recursos humanos para o desenvolvimento de projetos culturais, seja particular, como captação de recursos ou para financiamento coletivo, sendo os últimos muito procurados por empresas de grande porte para fins beneficentes.  Outras possibilidades de carreira incluem a produção de eventos e espetáculos e escrever resenhas críticas para portais, jornais e revistas.

Se você almeja tornar-se uma grande bailarina, vale fazer um pequeno teste publicado pelo Lukas Oliver em seu perfil do Facebook em 20 de janeiro, sobre o sucesso profissional na dança. “Atente-se que após você responder as perguntas que vou lhe sugerir, você poderá encontrar o real motivo da falta de sucesso ou de não alcançar seu sonho de trabalhar com dança”, escreveu ele. O teste consiste em 4 perguntas básicas e 1 pergunta mestra:

Quanto você investiu em tempo e dinheiro…

  1. … em acessórios e figurinos?
  2. … em fotos e vídeos promocionais?
  3. … em apresentações?
  4. … em marketing?

E a pergunta mestra:

  1. Quanto investiu em aulas teóricas e práticas de dança?

A solução do teste, ainda segundo Lukas, é a seguinte: se as perguntas de 1 a 4 tiveram maior investimento que a 5, talvez seja necessário você reavaliar seu plano e conceito sobre sucesso. Se foi o contrário, ótimo: você pode se considerar uma ótima estudante e praticante de dança. Mas se somente a pergunta 5 obteve maior investimento e seu intuito é trabalhar com dança, talvez esteja na hora de investir também nas perguntas de 1 a 4. E finalizou:

“lembre-se sempre de confiar e perguntar à sua professora se você está preparada para iniciar sua jornada de trabalho com dança, ou faça um curso de formação com avaliação e certificação adequada”.

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