Interpretação Teatral na Dança: Expressão & Sentimento

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Quando iniciei na Dança do Ventre, em 2009, uma das coisas que eu mais ouvia nas aulas regulares é que tínhamos que sorrir, independente da forma como estávamos nos sentindo. Existe um motivo para isso: o simples ato de sorrir provoca sensações de bem-estar e nos acalma. Mas não é um sentimento natural, trata-se de uma resposta da mente aos impulsos gerados pelo corpo. E por este motivo, eu não me identificava com esse comando, eu queria sorrir espontaneamente, quando e se sentisse vontade. Até porque sem sempre a mente responde como você gostaria, e então ficamos com aquele sorriso nervoso estampado no rosto, um sorriso que não alcança os olhos.

Lembro-me que uma das atividades que mais gostei de participar foi o desenvolvimento e apresentação interna de uma curta sequência coreográfica com taças e velas. O calor do fogo, o ambiente escuro, o clima de mistério e a música introspectiva que escolhi para dançar, tudo contribuiu para uma apresentação perfeita. Eu me senti muito à vontade naquele momento, e o público, no caso os alunos e minha professora, responderam positivamente a esse sentimento. O verdadeiro bem-estar.

Isso foi um divisor de águas para eu escolher a vertente do estilo tribal para me aprofundar e trabalhar com. Eu finalmente me senti livre para ser eu mesma, na dança e no palco. Eu não precisava esconder ou limitar sentimentos como raiva, medo, tristeza, vaidade. O tribal possibilita isso, de acordo com a performance que você escolhe trabalhar, seja coreografia ou improviso, solo ou em grupo. É aí que entra o conceito de interpretação teatral na dança: a criação de personagens.

O processo de conceber um personagem não se resume no visual e auditivo – figurino, maquiagem, música. Mas em escolher seus movimentos, sua forma de expressão, tudo para condizer com o personagem que você está interpretando. Foi pensando nesse conceito, de tipos e personas narrativas, que resolvi dar a luz uma ideia que há tempos sondava minha mente: a mostra de dança tribal e fusões “Arquétipos da Literatura”, conciliando gêneros e personas literárias, presente nas narrativas de todos os tempos.

Mostra de Dança Tribal & Fusões: Arquétipos da Literatura. Sexta-feira, dia 05 de Outubro de 2018 a partir das 19 horas na Biblioteca Municipal Prof Nelson Foot em Jundiaí-SP

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